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Estudo gastronomia desde meus 14 anos e já lavei muito prato, descasquei muita batata e já passei 24 horas acordado. Conheci, morei e trabalhei em lugares totalmente diferentes como Londres, Nova York, Washington DC, Caribe. Tenho a abertura do Sketch, de Pierre Gagnaire, e a experiência no restaurante 3 estrelas Michelin, La Pyramide no currículo... mas foi no Brasil que me encontrei como cozinheiro.
Larguei tudo que tinha e coloquei, pela primeira vez, meus pés em solos tupiniquins em 2008. Alguns insistem dizer que foi loucura, eu prefiro chamar de destino. Minha jornada de descobertas gastronômicas começou neste ano e foi amor à primeira vista. Um mundo de aromas, legumes, frutas e estilos de cozinha explodiu em minhas mãos. Foi assim que descobri que tinha muito que aprender com o Brasil. Tirei a dólmã de chef, adotei lápis, caderno e prática de estudante. Minha postura de estrangeiro nunca foi “Vou ensiná-los como fazer”, mas sim “me ensine, por favor?”. Durante esses anos, aprendi muito com meus colegas de profissão e devo agradecê-los muito. Respeito muito os chefs brasileiros e admito que tenho muito para aprender.
Durante os três anos como chef executivo do hotel Caesar Park, tive contato com os mais variados ingredientes, pessoas e profissionais. Foi neste lugar que consegui me estabelecer em São Paulo e até servir pratos para pessoas que admiro muito, tais como Hervé This, Olivier Roellinger, Alex Atala e muitos outros. Por tudo isso... meu MUITO OBRIGADO... mas tudo tem a sua hora e o momento certo de acontecer.
A cozinha brasileira me chama com mais força e decidi que era hora de percorrer novos caminhos. Portanto, oficialmente, não sou mais o chef executivo do Caesar Park. O hotel enveredou seus caminhos para uma direção que não era minha, e, para não desgastar essa relação, foi melhor para ambas as partes se separar agora.
Uma nova fase se inicia. Partirei em uma maratona de viagens para descobrir as maravilhas que Brasil esconde na barra da saia de muitas Marias, Luzias e Severinas. A missão será complicada, pois seu país tem dimensões continentais, mas minha curiosidade é maior que a extensão territorial do Brasil.
Para ter êxito nesta jornada, conto com todos vocês! Indiquem, por favor, produtores artesanais de farinha, técnicas indígenas de manejo de raízes, ingredientes diferentes, e dividam o segredinho de sua vovó comigo. Saio em busca de um Brasil que ainda não conheço. Saio em busca de mim mesmo e da minha culinária. Se um dia você ver um francês com uma mochila passando na frente da sua casa, pode chamar para um café ou almoço. Mostre as belezas de sua região. Ele, certamente, irá gostar!
Todo este arsenal de informações servirá de base para meu próximo projeto (que ainda é segredo!).
Para os curiosos de plantão, este português lindo que vocês leram tem mãozinha da @kellinhas Stein... que está me ajudando nesta nova fase.
Um abraço do eterno aprendiz de cozinheiro,
Julien Mercier
@mercier_julien
WWW.julienmercier.com
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